Empresas competem no desenvolvimento de modelos capazes de executar tarefas em farmácias, lojas e até restaurantes
O setor de robôs capazes de executar tarefas humanas evolui na China em ritmo acelerado. O país tem cerca de 200 empresas dedicadas à produção de modelos humanoides dos mais variados tipos. O objetivo nesse cenário de “boom” da robótica acoplada com IA (inteligência artificial) é desenvolver modelos mais inteligentes e com capacidade de produzir receitas.
O principal foco no momento são os robôs capazes de executar tarefas simples e repetitivas para eventualmente substituir humanos e reduzir o custo para outras companhias. Nesse sentido, já existem modelos capazes de realizar inúmeras operações feitas todos os dias por humanos ,como empacotar, atender clientes, buscar produtos em prateleiras e até cozinhar.
Na Waic (Conferência Mundial de Inteligência Artificial), realizada em julho na cidade de Xangai, os mais diversos modelos estavam em exibição. Ao caminhar pelos estandes, era difícil não imaginar que, em alguns anos, versões mais atualizadas dessas máquinas estarão interagindo no dia a dia das pessoas no comércio e, eventualmente, até dentro das casas.
A expansão dos robôs equipados com IA é incentivada pelo governo chinês, tanto para fortalecer as próprias empresas a dominarem o mercado global quanto para aprimorar a eficiência de setores econômicos.
Consultorias estimam que o mercado de robôs humanoides chineses deve alcançar cerca de US$ 15 bilhões até 2030. Para 2026, a meta do governo é ter em operação comercial ao menos 10.000 exemplares.
Assista (1min37s):
Em alguns lugares da China já é possível ver robôs operando em lojas, mas ainda é necessária a presença de uma pessoa para monitorar o serviço.
Essa é uma etapa que deve ser superada em poucos anos, tendo em vista o avanço dos chips que garantem uma capacidade de aprendizado cada vez maior e mais rápida das máquinas.
FÁBRICAS QUASE VAZIAS
Na China, já é realidade fábricas praticamente 100% automatizadas, com pouca ou nenhuma intervenção humana na linha de produção. No ano passado, o Poder360 visitou uma fábrica que era capaz de produzir 1,7 milhão de células de placas fotovoltaicas por dia. Tudo isso operando 24 horas e sem nenhum humano na linha de produção.
Até que chegue um dia em que a maioria esteja automatizada, existirá um período em que máquinas e humanos vão trabalhar juntos. Já é o que se dá se considerarmos que pessoas pilotam máquinas como empilhadeiras, mas essa relação ficará um pouco mais intensa, com trabalhadores operando robôs humanoides de mais de 3 metros de altura –os chamados mecha– durante seus turnos de trabalho.
Esse é justamente o caso do modelo que mais chamou atenção no evento de Xangai, o GD01. Fabricado pela Unitree, é um robô pilotável que pode ser utilizado para manejar cargas pesadas. O modelo foi apresentado em maio deste ano. Uma unidade está avaliada em US$ 650 mil (R$ 3,2 milhões).
Eric Napoli / Poder360 – 18.jul.2026
O modelo GD01 da Unitree era o maior robô em exposição na feira de Xangai





