Presidente disse confiar em Alckmin por não temer repetir episódio que levou o então vice-presidente ao Planalto após o impeachment de Dilma Rousseff
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a atribuir neste sábado (25.jul.2026) ao ex-presidente Michel Temer (MDB) a responsabilidade pelo que classifica como um “golpe” contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016.
Ao elogiar o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), Lula afirmou que viaja ao exterior “tranquilo” porque confia que o atual vice não repetirá o episódio que, na avaliação do petista, levou Temer à Presidência da República. A declaração foi dada no sábado (25.jul.2026), em Campinas (SP), durante o lançamento da pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao governo de São Paulo.
A fala também reverbera uma das principais narrativas do PT sobre o impeachment de Dilma e resgata um tema recorrente do discurso de Lula. O presidente afirmou que “encosta a cabeça no travesseiro” e dorme tranquilo por confiar em Alckmin.
Em seguida, declarou que o país “nunca mais” pode ter “um vice que dê um golpe de Estado”, em referência ao processo que retirou Dilma da Presidência.
Michel Temer era vice-presidente de Dilma Rousseff e assumiu a Presidência em caráter definitivo depois que o Senado aprovou o impeachment da petista, em 31 de agosto de 2016, por 61 votos a 20.
O julgamento foi presidido pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Lula.
A declaração também chama atenção porque integrantes do atual governo e aliados políticos de Lula apoiaram o impeachment de Dilma em 2016.
Entre os que votaram favoravelmente ao afastamento e integraram ou integram o governo petista estão a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), o ex-ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil), e o ex-ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula (PSD).
Além deles, outros aliados que hoje compõem a base do governo também apoiaram o processo no Congresso:
- Rodrigo Pacheco (PSB-MG) – como deputado federal, votou pelo impeachment. Hoje é aliado de Lula e chegou a ser incentivado pelo presidente a disputar o governo de Minas Gerais;
- Renan Calheiros (MDB-AL) – senador, votou pelo impeachment e integra a base do governo no Senado;
- Eduardo Braga (MDB-AM) – senador, votou pelo impeachment e é um dos principais articuladores da base governista;
- Omar Aziz (PSD-AM) – senador, votou pelo impeachment e hoje apoia o governo Lula;
- Eunício Oliveira (MDB-CE) – então senador, votou pelo impeachment; atualmente integra a base aliada na Câmara dos Deputados;
- Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) – senador, votou pelo impeachment; foi eleito presidente do Senado com apoio do PT em 2025.
Desde que voltou à Presidência, em 2023, Lula tem reiterado que o impeachment de Dilma representou um “golpe” e costuma usar o episódio para destacar a relação de confiança com Alckmin, que deixou o PSDB para compor a chapa presidencial petista nas eleições de 2022.
Michel Temer, por sua vez, sustenta que apenas cumpriu o papel previsto pela Constituição durante o processo que resultou na saída de Dilma da Presidência.

