Trump impõe tarifa adicional de 50% a produtos do Canadá

Cobrança começa em 19 de agosto e atinge vinho, laticínios e móveis; premiê Carney diz que Canadá quer negociar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), assinou nesta 2ª feira (20.jul.2026) 3 decretos que impõem uma tarifa adicional de 50% sobre determinados produtos importados do Canadá. A cobrança entrará em vigor à 0h01 de 19 de agosto de 2026, no horário de Washington.

As medidas foram adotadas com base na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930. O governo norte-americano afirma que o Canadá impõe tratamento comercial desigual a veículos, bebidas alcoólicas e laticínios dos Estados Unidos. Eis a íntegra do comunicado (PDF – 1 MB).

A cobrança será somada às tarifas que já incidem sobre os produtos. Também alcançará mercadorias que atendam às regras de origem do USMCA (acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá).

Serão afetados produtos como vinho, tacos de hóquei, cimento, laticínios, piscinas, móveis, varas de pesca, sementes, roupas e perucas. Produtos energéticos, potassa, pescados, minerais críticos e itens já submetidos às tarifas da Seção 232 estão entre as exceções.

A Seção 338 autoriza o presidente norte-americano a aplicar tarifas adicionais quando considerar que outro país impõe restrições desiguais ou discrimina o comércio dos Estados Unidos em relação ao de outras nações. A sobretaxa não pode superar 50% do valor do produto nem entrar em vigor antes de 30 dias do decreto presidencial.

RESPOSTA DO CANADÁ

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o país apresentou propostas para resolver as divergências comerciais. Também declarou que tarifas anteriores dos Estados Unidos violaram o acordo comercial entre os 3 países.

Carney disse que a disputa elevou os custos para as famílias, principalmente nos Estados Unidos, e afirmou que o Canadá está disposto a negociar.

ARGUMENTO DOS EUA

Em publicação no X, o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) justificou a medida com as restrições canadenses a bebidas alcoólicas, veículos e queijos norte-americanos.

Todas as províncias e territórios canadenses suspenderam a compra, a distribuição ou a venda de bebidas alcoólicas dos Estados Unidos em março de 2025. Alberta e Saskatchewan retiraram as restrições em junho daquele ano. Segundo o USTR, o Canadá não aplicou medidas semelhantes a bebidas de outros países.

As importações canadenses de bebidas dos Estados Unidos caíram 81% de março de 2025 a fevereiro de 2026, de US$ 718 milhões para US$ 137 milhões, em comparação com os 12 meses anteriores.

O órgão também declarou que o Canadá aplica tarifas e cotas a veículos norte-americanos que não atingem modelos importados de outros países. Segundo Washington, as cotas estimulam as montadoras dos Estados Unidos a manter a produção em território canadense. O Canadá reduziu os limites concedidos às empresas que transferiram fábricas para os Estados Unidos.

De abril de 2025 a março de 2026, as importações canadenses de veículos norte-americanos caíram cerca de 22%, de US$ 25,9 bilhões para US$ 20,3 bilhões.

De abril de 2025 a fevereiro de 2026, as importações de veículos do México, Japão, Coreia do Sul e Alemanha aumentaram. O crescimento variou de 10,1% a 23,6%, segundo o governo norte-americano.

No caso dos queijos, Washington afirma que as regras canadenses impedem varejistas de acessar as cotas destinadas aos produtos dos Estados Unidos. O mesmo acesso é permitido aos queijos da União Europeia, embora o Canadá mantenha acordos comerciais com os 2 mercados.

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