#3 | Lembra dele? Ídolo do Galo, Éder Aleixo venceu o Candangão pelo Guará

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Nos mais de cinquenta anos desde o primeiro pontapé no futebol candango, inúmeros jogadores conhecidos em todo o país passaram pelos clubes do Distrito Federal. Alguns já consagrados, outros ainda em formação, mas todos deixaram marcas em gramados espalhados por todo o DF. Na série Lembra dele?, o Distrito do Esporte resgata nomes que cruzaram o caminho da capital brasileira em momentos improváveis da carreira. O terceiro episódio relembra a passagem de Éder Aleixo, ídolo do Atlético Mineiro, no Clube de Regatas Guará. Já veterano, aos 39 anos, foi peça importante no único título do Candangão exposto na galeria guaraense, ainda em 1996. 

Leia as primeiras edições da série

Nascido em Vespasiano, interior de Minas Gerais, Aleixo teve início meteórico em 1973 com a camisa do América Mineiro. Chamou atenção cedo pela explosão, velocidade e um forte chute com a perna canhota. Tamanha potência com o pé esquerdo rendeu os apelidos de ‘Canhão’ e ‘Bomba de Vespasiano’. Entre as 15 camisas diferentes que defendeu durante mais de 17 anos de carreira, Éder virou ídolo incontestável no Atlético Mineiro – clube onde, atualmente, atua como auxiliar-técnico. As atuações com a camisa do Galo colocaram o atacante entre os principais nomes da Seleção na Copa do Mundo de 1982, ao lado de Roberto Dinamite, Zico, Sócrates, Júnior e companhia.

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Éder Aleixo
Éder Aleixo, o ‘Canhão’, em campo pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982, na Espanha.

Éder chegou a peso de ouro no Guará para a disputa do Candangão de 1996. O ‘Lobo da Colina’ é, até hoje, o time com mais vice-campeonatos da história do torneio, com oito. Na edição anterior, vencida pelo Gama, também deixou escapar após ótima campanha – caiu de rendimento nas últimas rodadas e terminou em terceiro. Após perder Paulo Romero, principal atacante da equipe em 1995, a diretoria optou por trazer um nome de peso para o setor, além do interesse em impulsionar a marca do time. Cipriano Siqueira, presidente do clube, e Alcir Alves de Souza, diretor de marketing, ficaram responsáveis por apresentar o projeto a Éder Aleixo. O atacante havia se aposentado meses antes, no União São João, de São Paulo, onde disputou apenas quinze jogos.

Alcir Alves, atualmente diretor do Jornal do Guará, colaborou com a pesquisa sobre a passagem de Éder pelo ‘Lobo da Colina’. O dirigente relembrou a negociação e a dinâmica com o atacante. “Eu e o presidente Cipriano selecionamos dois jogadores: o Júnior do Flamengo, que naquela época jogava futebol de areia, e o Éder Aleixo. Como não tínhamos condições de manter eles em Brasília, oferecemos um contrato especial: vinham aqui na sexta-feira e ficavam até domingo. O Júnior desistiu, consultamos o Éder. Viabilizamos o patrocínio com o Sérgio Náia (empresário do ramo imobiliário) e ele autorizou. Marquei conversa com o Éder em Belo Horizonte, fui para lá de manhã e passei o dia com ele.”

Pouco antes de completar 39 anos, Éder desembarcou na capital federal em 2 de março de 1996. Em contato com o Distrito do Esporte, o ‘Canhão’ contou que um dos fatores decisivos na negociação foi o fato de o Lobo da Colina nunca ter conquistado o Candangão. “Eu já tinha parado de jogar futebol e surgiu essa oportunidade de jogar no clube, por meio de alguns amigos. O grande motivo que me convenceu a jogar lá foi que o Guará nunca tinha sido campeão — e só foi campeão essa vez. Eu não joguei a final porque viajei para a Europa com a seleção de máster e saí antes do tempo. Mas foi muito bom ter participado”, relembrou o ex-atacante.

Logo ao se apresentar, Aleixo conquistou a titularidade e virou peça chave do plantel dirigido por Déo de Carvalho. Na estreia com a camisa aurinegra, no Estádio do Cave, participou do primeiro gol. Foi em 10 de março de 1996, na abertura do Candangão, contra o Dom Pedro ll – hoje, Real Brasília. De Éder saiu a assistência para o tento marcado por Zinha, com apenas dois minutos de jogo. Os visitantes, no entanto, estragaram a festa guaraense e empataram o confronto ainda na etapa inicial, com Marco Antônio. Aquele foi apenas o primeiro dos sete empates do Guará em 13 jogos da primeira fase. Mesmo com boas atuações, demoraram quatro partidas até o ‘Canhão’ balançar as redes pela primeira vez com a camisa aurinegra.

O gol ficou reservado para um momento importante, na segunda vitória consecutiva do clube no torneio – antes, na 3ª rodada, tinham vencido o Samambaia por 1 a 0. Foi contra o Luziânia, fora de casa, no Estádio Serra do Lago, pela 4ª rodada do Candangão. A partida teve nove gols marcados. O Guará levou os três pontos com o triunfo por 5 a 4. No confronto, a equipe goiana chegou a liderar por 4 a 1, mas viu os futuros campeões virarem o placar. Éder Aleixo marcou o terceiro dos guaraenses, aos 30’ do segundo tempo. Depois, o meia Edi Carlos empatou aos 39’ e o xará Éder Antunes virou no último minuto.

Éder Aleixo
Edição do Jornal do Guará de abril de 1996 destaca as boas atuações do ‘Canhão’ no Lobo da Colina. Foto: Arquivo | Jornal do Guará

Naquela época, rotina de treinos e logística seguiam formatos bem diferentes dos atuais. Éder contou que a distância da vida pessoal atrapalhou o rendimento em campo. “Eu saía de Belo Horizonte em um voo na quinta-feira à noite, treinava sexta e sábado e viajava depois do jogo no domingo. Era assim. Eu não ficava a semana no clube.” Para manter a forma física e cuidar dos negócios em Minas Gerais, Aleixo treinava sozinho no centro de treinamento do Atlético Mineiro. “E mesmo assim fui muito feliz, porque fomos campeões. Apesar de não ter jogado a final, deixei muitos amigos na cidade”. Aleixo vestiu a camisa do Lobo em 12 partidas, com cinco vitórias, seis empates e apenas uma derrota.

O jogo de despedida aconteceu em 2 de junho, contra o Gama — adversário que o Guará venceria na final do torneio, semanas depois. A partida, realizada no Estádio do Cave, terminou zerada. A passagem durou pouco mais de dois meses, tempo suficiente para estampar um dos maiores atacantes da história no hall de campeões do Candangão. Ainda na entrevista, Éder não escondeu o orgulho por ter feito parte da campanha do título. “O clube é interessante, é um clube antigo lá na cidade, colado na capital. Acho que foi importante ter participado de um campeonato que o Guará nunca tinha conquistado e até hoje também não conquistou mais. Sou um cara privilegiado por ter participado. Muita satisfação”.

Éder em foto com os companheiros de clube, no Cave. Aleixo é o primeiro dos agachados. Estão presentes ainda: Tiago, Zinha, Júlio César, Elson, Gilson, Pereira e Marinho – preparador de goleiros (em pé); Eder Aleixo, Jairo, Marco Antonio, Rogerinho e Eder Antunes (agachados)

Carreira de Éder Aleixo

Depois de deixar o Guará, Éder ainda defendeu o Montes Claros, clube do interior de Minas Gerais, antes de pendurar as chuteiras de fato. Encerrada a trajetória como jogador profissional, Aleixo permaneceu ligado ao futebol em diferentes frentes. Assumiu a diretoria de futebol do Atlético Mineiro no início dos anos 2000 e exerceu a função até 2004. Passou a atuar como empresário, criou escolinhas voltadas à formação de atletas em Minas Gerais e participou de projetos sociais relacionados ao esporte. Desde 2021, faz parte da comissão técnica permanente do Galo, onde trabalha como auxiliar fixo.

Éder Aleixo
Éder é membro fixo da comissão técnica do Atlético Mineiro. Foto: Divulgação

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