#04 | Lembra dele? Fio Maravilha, ‘nós gostamos de você!’, passou pelo Ceub

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Nos mais de cinquenta anos desde o primeiro pontapé no futebol candango, inúmeros jogadores conhecidos em todo o país passaram pelos clubes do Distrito Federal. Alguns já consagrados, outros ainda em formação, mas todos deixaram marcas em gramados espalhados por todo o DF. Na série Lembra dele?, o Distrito do Esporte resgata nomes que cruzaram o caminho da capital brasileira em momentos improváveis da carreira. Dono de um carisma memorável e personagem responsável pela famosa música de Jorge Ben Jor, Fio Maravilha protagoniza o quarto episódio das reportagens especiais. Ainda em 1975, o atacante foi peça fundamental do Ceub, no Campeonato Brasileiro daquele ano.

Leia as primeiras edições da série

Inspirador de um dos maiores hits da história do país, antes de se tornar ‘Maravilha’ ou até mesmo ‘Fio’, João Batista de Sales nasceu em 19 de janeiro de 1945, em Minas Gerais. O apelido Fio veio ainda na infância, na cidade de Conselheiro Pena, herdado pelo físico magro. Criado e formado na base do Flamengo, despontou como ponta-direita, embora muitas vezes parecesse um centroavante improvisado. O próprio carisma, aliado à arrancadas desajeitadas – muitas vezes “desengonçadas” – tornaram o atacante uma das figuras mais folclóricas do futebol brasileiro, mesmo sem números extravagantes ou uma extensa galeria de títulos conquistados. 

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Foram oito anos no time da Gávea, de 1965 a 1973. Neste período, tornou-se xodó da nação rubro-negra com gols importantes – até mesmo no Santos de Pelé. Mas foi em 1972 que o Fio se tornou Maravilha. Em um Maracanã lotado, o Flamengo enfrentava o Benfica,de Portugal, por um torneio amistoso. Os flamenguistas já venciam o jogo por 1 a 0 no momento em que o atacante saiu do banco e atendeu os gritos da arquibancada. Do jeito irreverente, arrancou pela esquerda, deixou dois marcadores na saudade, driblou o goleiro e ampliou o placar. O jogo terminou discreto, mas a jogada virou uma lenda.  

Ali, Fio virou Maravilha. “Foi um gol de classe, onde ele mostrou sua malícia e sua raça. Foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa”, escreveu Jorge Ben Jor, autor da música que ganhou o Brasil e até mesmo os rivais do rubro-negro. Jorge estava nas arquibancadas do Maracanã no momento da ‘jogada celestial’. A letra descreveu o gol com tamanha riqueza em detalhes e virou um sucesso imediato. Por desentendimentos com o jogador, o cantor precisou alterar o nome da música anos depois. Com a reconciliação, a faixa original voltou aos palcos. Fio virou personagem de música, símbolo do torcedor e sinônimo de futebol espontâneo antes de desembarcar no Distrito Federal.

O gol responsável por adicionar ‘Maravilha’ ao nome de João Batista de Sales. Segundo Jorge Ben Jor, Fio Maravilha só não entrou com bola e tudo porque teve humildade. Foto: Arquivo | Maracanã

Três anos depois do gol histórico, em 1975, Fio veio se aventurar pelas bandas do Distrito Federal. Naquela época, o futebol de Brasília sequer havia se profissionalizado, mas o Ceub foi o escolhido da Confederação Brasileira de Desportos (CBD, hoje a CBF) para representar a capital do país no Brasileirão daquele ano. Era a terceira participação consecutiva da equipe candanga no torneio, e a ideia era mostrar um melhor desempenho das edições anteriores. Maravilha chegou após uma passagem pelo Paysandu, no Pará, como o principal reforço para o Campeonato Brasileiro.

Foram apenas quatro meses e quinze partidas na equipe do Distrito Federal. Fio estreou em 24 de agosto, na primeira rodada do Brasileirão, contra o Goiânia, no Serra Dourada. Os goianos venceram por 2 a 1. Demoraram apenas três partidas para balançar as redes pela primeira vez, contra a Campinense, da Paraíba, na primeira vitória do Ceub naquela edição do torneio. Os brasilienses venceram por 2 a 1, dentro de casa, no Estádio Pelézão – era localizado nos arredores do ParkShopping, mas foi vendido para a iniciativa privada e se tornou prédios condominiais na região conhecida como ParkSul.

Curiosamente, Fio Maravilha marcou em todas as três vitórias do Ceub no Brasileiro de 1975. O segundo gol também foi marcado no antigo Pelézão, em uma partida contra o América de Natal. A partida estava empatada até os 30′ do segundo tempo, quando o atacante recolocou os brasilienses na frente do placar após acertar um chute com a perna direita e dar os números finais ao confronto: 2 a 1 para os donos da casa. A terceira e última vez que Maravilha balançou as redes foi diante da Desportiva-ES – clube para qual o próprip se transferiu na temporada seguinte. O Ceub venceu por 2 a 0.

Elenco do CEUB perfilado em partida válida pelo Brasileirão de 1975, conquistado pelo Internacional de Porto Alegre. Em pé: Nenê, Alencar, Cláudio Oliveira, Emerson, Adalberto Souza e Paulo Victor; Agachados: Junior Brasília, Péricles, Fio, Marco Antônio e Moreira.

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